quinta-feira, 30 de junho de 2011

PARA O SEXO A EXPIRAR

.Oleg Videnin.
Para o sexo a expirar, eu me volto, expirante.
Raiz de minha vida, em ti me enredo e afundo.
Amor, amor, amor — o braseiro radiante
que me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo.

Pobre carne senil, vibrando insatisfeita,
a minha se rebela ante a morte anunciada.
Quero sempre invadir essa vereda estreita
onde o gozo maior me propicia a amada.

Amanhã, nunca mais. Hoje mesmo, quem sabe?
enregela-se o nervo, esvai-se-me o prazer
antes que, deliciosa, a exploração acabe.

Pois que o espasmo coroe o instante do meu termo,
e assim possa eu partir, em plenitude o ser,
de sêmen aljofrando o irreparável ermo.


(Extraído de O AMOR NATURAL. Rio de Janeiro: Record, 1992)
Poesia erótica. Poesia sensual.

Um comentário:

  1. Impressionada com o seu bom gosto poético!

    Adoro Drummond é um dos mais completos para mim.

    Beijos em você.

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