domingo, 19 de abril de 2026

.tu.

 

.tu.

Tu.

apenas tu.

duas letras
que cabem na ponta da língua
e incendiam o quarto inteiro
o corpo inteiro
tu de pé
de lado
não importa
cada detalhe teu
a renda 
a pele
o pingente
o bruços
tu
antes de qualquer toque
o desejo que não pede licença
tu de frente
dizendo meu nome
como quem prova uma fruta
antes de morder
sem mais
tu com a calcinha
no chão
e nada mais
o minimalismo do teu nu
tu rindo
depois do orgasmo
aquele riso
de quem sobreviveu
ao próprio corpo
ao próprio devaneio
profano
tu de manhã
despenteada
com marcas
[sim com as marcas
que gosta
de posse e entrega
submissa
vadia
depósito de porra]
ainda mais nua
tu virando
o rosto para o lado na hora H
essa sem vergonha que excita
minha mão
no teu cabelo
te guiando
sem dizer uma palavra
tu gemendo
baixo
como quem reza
numa igreja vazia
tu de quatro
de bruços
de lado
de frente
[tu em todas as posições
da palavra "casa"]
tu depois do sexo
transa
trepada
gozada
foda
amor
com o suor secando na pele
dizendo: "de novo"
quero de novo
deixa [tu]a marca.

Tu.

apenas tu.

o resto é paisagem.

pode ser que no fim da poesia
eu tenha gozado
com as palavras.

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