quarta-feira, 1 de abril de 2026

.te fodo.

.te fodo.

te fodo
como uma puta
uma vadia
a palavra atravessa
o ar como um chicote
que não fere
desperta
[é elogio
que não tem medo
que não teme a opinião
do outro]
porque puta
deixa de ser ofensa
e se faz convite
e você quer ser
essa que se entrega
sem resalvas
essa que pede
como quem manda
como quem sabe
que o poder de se dar
é o único poder
que nunca se perde
teu corpo se arqueia
sob o meu pau
que te guia
te ajeita
te abre
como quem abre
um fruto maduro
sabendo que o mel
vai escorrer
eu te fodo
com esses nomes
com essa permissão
que é também um pedido
sabe que é meu desejo
que se disfarça de fome
te fodo
e cada estocada
é uma frase
nesta língua que inventamos
onde palavras ásperas
se fazem carícia
e em ti isso se faz sagrado
tuas mãos se abrem
sobre o colchão
não seguras nada
[só meu corpo no teu]
não te apoia
e essa entrega total
é o que desarma
mais do que qualquer coisa
com essa coragem
de despir não só o corpo
mas também os nomes
que te dou
no calor do nosso fogo
te fodo
como puta vadia
repito
as palavras agora
é um mantra
que nos conduz
para um lugar
onde não há pecado
onde não há julgamento
onde há apenas
o que fazemos
e a verdade
de que desejamos
e precisa apenas
deste sim
que permitimos
um ao outro
quando eu te pergunto
com os olhos
se podes ir mais fundo
e tu me respondes
com os quadris
que se erguem
para me encontrar
e tuas pernas
que puxam meus ombros
te fodo
e te chamo vadia
puta
minha cadela
safada
e cada nome
que coloco dentro
não para de te prender
e sabe que é vista
que é desejada
que é inteira
mesmo quando te partes
em pedaços de prazer
e tu sorrir
porque sabe
que se entregou
sem medo
e a mulher inteira
que escolheu
em liberdade
ser possuída
e não tem contradição
não tem vergonha
do que fizemos
um encontro
entre dois corpos
que se permitiram
ser tudo o que são
sem máscaras
sem pudor
sem nada além
deste desejo
por ser tão cru
que se faz sagrado
gozamos loucamente.

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