sábado, 25 de abril de 2026

.despir-ai-ei de mim.

.despir-ai-ei de mim.

quero te ver
sem o peso do meu desejo
só tu
não só a carne
tu é tua alma
para além
dessa casca dura
tirei de mim
as fantasias
os prazeres
os desejos
a excitação
o roteiro que já sabemos
para além da poesia
dos versos
pervesos
e restar o que é humano
tua cicatriz no joelho
teus medos
tuas renúncias
a tua coragem de ser
ser mulher
com medo e sem medo
cada marca tua
seja na alma
seja no corpo
seja de prazer
ou pela dor de ser
das tuas história que não pede
das vivências
[meus desejos caído
no chão
um por um]
a tua  coragem de se entregar
ao que dói, ao que sangra
sem disfarce
isso sim me despe
tuas mãos calejadas
de tanto segurar o mundo
e ainda ser firme
das possibilidades
de ser
tu no teu silêncio
eu no meu ser despido
não quero gozo
quero ver tuas dores
e beijar tuas feridas
te ver humana
é mais íntimo
que te ver nua
despir-me de mim
para caber no meu colo
nos meus abraços
sem nenhuma fantasia
— eis o prazer.

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