domingo, 26 de abril de 2026

.tu, mulher.


.tu, mulher.

olhos abertos
brilho de quem guarda o mundo
sem fazer alarde
sem festa
sorriso tímido
que abre fresta no peito
lá dentro
incêndio, chama
e delicadeza
no meio do caos
da vida, de viver
lindeza não por forma
mas por tua luz
que te habita
em cada movimento
[dessa coisa de
ser vivo]
és bela
és forte
és inteligente
és resiliênte
és mãe
és mulher
mulher devir
ser
tecido invisível e justo
onde o desejo prende
corpo
nua não de pele apenas
— nua de verdade inteiras
teu silêncio fala
mais do que minha boca ousa
e me desarmo todo
autoestima não grita
é esse pé no chão
e o olho no brilho
no existir
nessa leveza
[e as vezes nem tanto]
a vida e seus altos e baixos
e o que fazemos disso
é o que somos
[e pode chorar
esvaziar as vezes é preciso
caso necessite: grite
berre, fale alto
exclame, reclame]
mulher que relês
com o dedo entre os cabelos
e se resolves
e dissolve toda
linda e tão tua
que até a sombra que lanças
me parece aplausos.

.seja
não fraqueja
se releia
e se ame
se cuide
és o maior bem
de si
para cuidar dos seus
e de si também.

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